E nunca teve a intenção de tanto
Que justamente o seu maior encanto
É andar por esse mundo sem vintém
No amor não há saberes ou certeza
Não se pensa no amor, e não, ainda,
Se reflete a bela história, pós de finda
Ou assim faz fenecer toda a beleza
Não se julga o seu amor dizendo "certo"
"bonito", "gostoso", "delicado"
Não chegaria nunca com palavras perto
de compreender seu ser amado.
Não se diz de um ex amor que ele morreu
não se diz agora cinza o que foi chama
pois amor não é bem de quem você ama
mas sim tesouro desde sempre seu.
Não há amor passado, presente, futuro
é tudo um só amor, indócil, bruto
entre seus capítulos não há muro
o amor é casca e folha; e flor e fruto
É, ao mesmo tempo, a rocha e o vulto
mendigo, Rei tirano do inconsciente
Amor, mesmo que lento, sempre de repente
Amor tenaz, espontâneo, inculto
Amor que é o "oriente do oriente"
é lama e luz e paz e afago e insulto
Creio que se engana, meu amigo
em dizer que descartou passada dor
E peço-lhe atenção no que o digo:
que nunca se compreende ou esquece o amor
Portanto quando você me pergunta
o que se fez do ex-amor, não sei
Mas se insciente a língua os lábio unta
Lhe digo baixinho assim: "Amei"
Fumacinha