terça-feira, 5 de junho de 2012

Não Penso o Amor

Primeiro que o amor não diploma ninguém
E nunca teve a intenção de tanto
Que justamente o seu maior encanto
É andar por esse mundo sem vintém

No amor não há saberes ou certeza
Não se pensa no amor, e não, ainda,
Se reflete a bela história, pós de finda
Ou assim faz fenecer toda a beleza

Não se julga o seu amor dizendo "certo"
"bonito", "gostoso", "delicado"
Não chegaria nunca com palavras perto
de compreender seu ser amado.

Não se diz de um ex amor que ele morreu
não se diz agora cinza o que foi chama
pois amor não é bem de quem você ama
mas sim tesouro desde sempre seu.

Não há amor passado, presente, futuro
é tudo um só amor, indócil, bruto
entre seus capítulos não há muro
o amor é casca e folha; e flor e fruto

É, ao mesmo tempo, a rocha e o vulto
mendigo, Rei tirano do inconsciente
Amor, mesmo que lento, sempre de repente
Amor tenaz, espontâneo, inculto
Amor que é o "oriente do oriente"
é lama e luz e paz e afago e insulto

Creio que se engana, meu amigo
em dizer que descartou passada dor
E peço-lhe atenção no que o digo:
que nunca se compreende ou esquece o amor

Portanto quando você me pergunta
o que se fez do ex-amor, não sei
Mas se insciente a língua os lábio unta
Lhe digo baixinho assim: "Amei"

Fumacinha

Penso do Amor


Eu te digo aqui que com certeza
O amor é uma coisa de estado
Posto que, estando ele acabado,
Outro amor lhe despreza, ou a tristeza

Sentimento que é dado como certo
Sólido, existente e exato,
Vira erro ao ser subjugado
Por um outro mais cheio de soberba

Não se sabe dum amor que receba
Em post mortem um diploma honoris causa
Se não lhe intervier forçada pausa
Ou se o peito não for só solidão

Não se sabe de um amor que estenda a mão
A um outro que ficou no passado
Lhe dizendo "estou equivocado
Pois amor é o que és por excelência"

O que eu sei do amor é que, em essência,
Se dirige ao seu antepassado
Lhe chamando de louco, obcecado,
Quando muito lhe chama de paixão

Se não for, te digo com razão,
Que não amas de fato teu amado,
Ou senão esquecerias o que é findo,
A paixão que se encontra em desuso

E só quero validar meu discurso
Com as regras e normas que eu pinto
Esquecendo dum amor infinito
Enquanto ainda não é despedaçado.

Wlad

Adeus é o caralho

Cigarro?
Me amarro
seja o do esparro
seja o do escarro
tiro sarro
de quem não fuma
assim: "como você se enturma?"
"não queres pinga? não me admira
tu és uma anta!
Não queres nem sucupira
que é remédio pra garganta?"
Tu me vem com a vida e a morte
e eu tentando contar minha sorte
e digo assim pra eles: "com a porra!
Que eu morra
de um dos maus do cigarro então,
ou que leve o figo o absinto:
é melhor eu morrer do pulmão
do que ter carcinoma de pinto"

Fumacinha

Adeus


Quantas noites divaguei
Tu de lado, eu te dando a mão
E se um dia me embriaguei
Não me faltastes frouxo,
Meu pendão

Acordar cedo, tu me rodando a cabeça,
E na labuta, tu me dizendo estar à espera,
Do almoço tu sendo o antepasto à mesa
Na sobremesa tu me esperando o beijo,
Como não te beijar? Também pudera
Às três da tarde, teu cheiro é lei
No por do sol te acho
Fingindo que não te procurei
O que não é fato, deveras
Pela noite não te conto
Os inúmeros e casuais encontros
Mas se nos contarem mais catorze afrontas
Tu me renegas e me faltas
Me deixando às altas
Horas de insônia 

Minha pele, tão acesa,
Se rarefaz no teu curtume
Teu beijo tão amargo
É adocicado pelo costume
E a cada amor que tu me dás
Te necessito mais e mais
Pois quanto mais atenção te dou
Mais fugaz o passo do tempo se faz

Amado, contigo se há de ir
Minha azia e meu pigarro!
Não me esqueça jamais,
Pois a duras penas te esquecerei,
Cigarro 


Wlad